Home

Alimentos sustentáveis
Marcia Lisboa

Há quem pense que diversificar a alimentação significa consumir produtos exóticos, de lugares distantes. Mas além de não ser a única forma de variar o paladar e estar bem nutrido, este comportamento pode gerar danos ao meio ambiente e ameaçar espécies de extinção.

Uma alternativa sustentável é consumir alimentos locais para seguir a recomendação de comer diariamente cinco tipos de frutas ou vegetais, de cores diferentes. "Muito se fala em lichia, mas poucos conhecem pitomba, pitanga ou sapoti. Não sabemos dos alimentos da nossa cidade, das nossas frutas", explica a nutricionista Anna Cecília Queiroz de Medeiros, professora da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

Não é preciso usar novos ingredientes para variar a refeição: basta mudar a apresentação e o modo de preparo. Arroz e feijão, por exemplo, podem ser preparados de diferentes maneiras. O mesmo acontece com a mandioca, outro alimento típico brasileiro.

Para Anna Cecília Medeiros, a sofisticação do paladar deveria estar relacionada à apreciação por uma comida bem feita, e não com o uso de ingredientes caros. "Posso fazer uma polenta de fubá de milho deliciosa, embora simples e com ingredientes locais, ou uma espuma de nozes com framboesas, igualmente deliciosa, mas considerada sofisticada pelo preço e ingredientes".

Nas grandes cidades, os hábitos alimentares são pautados com frequência por produtos de outras regiões e países, que variam conforme a "moda", deixando de lado os produtos tradicionais nativos. "É muito mais chique, nos dias atuais, convidar alguém para almoçar salmão com arroz selvagem e cogumelos, do que feijão, arroz, refogado de chuchu e um bife. Não queremos comida, queremos sensações: algo diferente, novo, surpreendente", avalia a nutricionista.

Custo para o planeta

Outro fator que deve ser considerado, na hora de comprar um alimento vegetal, é o seu ciclo de amadurecimento. "A cada fase da maturação, novos nutrientes vão aparecendo nas frutas e verduras. Outros, principalmente compostos conhecidos como antinutricionais (ou alguns que dão sabor amargo aos frutos, por exemplo), vão ficando menos presentes. Por isso, o ideal é consumir alimentos na safra e amadurecidos na planta", recomenda Anna Cecília.

Para um alimento chegar à nossa mesa fora do período em que costuma aparecer na natureza, ele precisa ser trazido de outro lugar, por algum meio de transporte, que provavelmente vai causar o lançamento de dióxido de carbono no meio ambiente. Além disto, haverá necessidade de embalagens e gasto de energia para congelar ou resfriar o produto, o que gera um impacto negativo no meio ambiente.

Anna Cecília Medeiros acrescenta que o problema também pode ser percebido em relação ao consumo de peixes e crustáceos. Muitas vezes não são respeitados os períodos nos quais eles se reproduzem, quando não poderiam ser pescados. Isto reduz a quantidade dessas espécies no ano seguinte. "Como queremos comer de tudo o ano todo, temos de pagar um preço em dinheiro por esse conforto, mas ele não consegue cobrir o custo dos prejuízos ao planeta", resume.

Comentários

Gostei muito das dicas que estão no texto.

Comentar

Voltar