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Atleta bem-nutrido
Rovena Rosa

Ilustração Nem sempre quando um adolescente resolve se tornar um atleta, sua vida será mais saudável. Quem sonha em participar de olimpíadas precisa saber que antes de começar a colecionar medalhas é necessário muita dedicação e disciplina. Dormir cedo, ter uma alimentação balanceada e não exagerar nos treinos são medidas importantes para subir os degraus do pódio sem deixar a saúde de lado.

A atividade física fortalece os músculos e coração, diminui o nível de gordura no corpo e reduz o risco de várias doenças. Além disto, aumenta o bem-estar por causa das doses de endorfina (substancia que alivia a dor, melhora o humor e controla o estresse) liberadas pelo corpo durante e depois do treino. Mas o adolescente tem necessidades nutricionais específicas, porque precisa de energia tanto para a performance no esporte quanto para o próprio crescimento. Dependendo da categoria esportiva praticada, seu organismo terá necessidade de 2 mil a 5 mil calorias por dia. A boa notícia é que conseguir todos os nutrientes necessários não requer, na grande maioria dos casos, o uso de suplementos alimentares. Isso depende apenas de comer os alimentos certos e na quantidade adequada.

“O adolescente deve evitar os suplementos. Não adianta querer a pílula mágica que vai transformá-lo num indivíduo musculoso de um dia para o outro. As pessoas perdem a noção de que certos minerais e vitaminas em excesso fazem mal”, explica a nutricionista Gabriela Morgado, pesquisadora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Além disto, não é recomendado, por exemplo, misturar cálcio e ferro, porque o cálcio atrapalha a utilização do ferro pelo organismo e nesses suplementos todos os minerais vêm juntos.

O equilíbrio nutricional, de acordo com as necessidades de cada um, ajuda a melhorar a performance no esporte. O ideal é dar preferência às carnes magras, grãos integrais, vegetais, frutas e leite e derivados desnatados, levando em consideração a planilha de treinamento. Há dicas como comer carboidrato (massas em geral) antes da competição, para ter energia e bom desempenho, e não esquecer de beber muito líquido para repor o que é perdido com a transpiração.

Excesso de exercício pode prejudicar desenvolvimento

Em esportes competitivos é importante ter acompanhamento profissional de nutricionistas e fisioterapeutas. “Atletas de elite, que participam de competições nacionais e internacionais, vivem num limiar entre a saúde e a doença, e estão sempre exigindo o máximo de si. O objetivo é alcançar a melhor colocação, mesmo que a saúde seja prejudicada”, diz Gabriela Morgado.

Uma das preocupações de certas modalidades é o peso. Diferente de lutadores de sumô ou levantadores de peso, atletas como corredores de velocidade e ginastas precisam de um percentual de gordura no corpo muito baixo. Porém, cortar demais as calorias, sem levar em consideração o biotipo, a fase de crescimento e a necessidade diferente de cada pessoa, pode trazer riscos para o desenvolvimento do jovem.

Atletas que não consomem uma quantidade suficiente de calorias dificilmente alcançarão o pico da capacidade no esporte e no desenvolvimento do corpo. Ou seja, não serão tão rápidos ou fortes como poderiam e ainda correm o risco de ter problemas no futuro. A deficiência nutricional ou excesso de exercício pode atrapalhar o crescimento, a maturação sexual e o desenvolvimento mental.

“Antigamente acreditávamos que o adolescente não deveria fazer musculação ou qualquer exercício de intensidade alta, por estar na fase de crescimento. Mas com o tempo percebemos que se ele for acompanhado por profissionais, pode se manter saudável”, diz a nutricionista. Isto se a preocupação com a saúde estiver em primeiro lugar. 

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