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A exclusão pelo crack
Rovena Rosa

Crack é um estimulante feito de cocaína que afeta o sistema nervoso central, dando ao usuário uma intensa sensação de poder e energia. A droga tem um efeito rápido, mas que dura poucos minutos.

Barata, fácil de carregar e difícil de ser detectado, o crack se espalhou pelas cidades. Muitos usuários já consumiam álcool e drogas injetáveis, mas existe também uma nova geração de crianças e adolescentes que passaram a consumir esta substância sem nunca terem experimentado outros entorpecentes.

As chamadas cracolândias (espaços onde se reúnem os usuários) têm sido dispersadas, mas isto não quer dizer que as pessoas não se reagrupem em outros locais. O recolhimento compulsório gera muita polêmica porque, muitas vezes, os locais para onde são levados os dependentes não estão equipados para tratamento. A maioria não tem médicos nem psicólogos.

Para Francisco Inácio Bastos, pesquisador da Fiocruz, o paciente de crack geralmente é muito marginalizado. Os serviços de saúde são pouco receptivos a ele e os pacientes, quase sempre, só procuram os hospitais quando estão muito debilitados, com pneumonia ou tuberculose. “Em relação ao tratamento, a minha experiência não tem sido boa. Sou formado em medicina e a gente praticamente não tem no currículo aulas sobre o manejo de drogas. Vejo os profissionais de saúde muito despreparados para lidar com essa questão”, avalia.

Tratamento

Não existe nenhuma medicação aprovada pela Anvisa para tratar a dependência do crack. Mas algumas, como os que evitam convulsões, têm sido usadas para diminuir o desconforto da abstinência (ficar sem a droga). A ideia é acalmar a pessoa que chega com a cabeça a mil por hora e o coração muito acelerado, porque o crack é superestimulante. “Depois da fase de euforia normalmente também são usados antidepressivos”, explica Bastos.

Para as mulheres grávidas, a situação é ainda mais complicada, porque elas precisam de atendimento pré-natal, mas muitas vezes não o fazem, por medo de perder a guarda do filho. Se usado durante a gestação, o crack causa espasmos na placenta, o que gera uma alternância de falta de oxigênio e hemorragia para o feto. Os bebês costumam nascer com baixo peso, suscetíveis a uma série de doenças e com uma tendência muito grande a convulsões.

Refazer laços

Para Bira Carvalho, fotógrafo do programa Imagens do Povo e mediador de jovens no Complexo da Maré, no Rio de Janeiro, o aumento do uso do crack está muito ligado à falta de perspectiva e investimento em capacitação para os jovens. “Quando a pessoa usa crack, ela provavelmente está fugindo da realidade dela, de ser rejeitada pela família e invisível para a sociedade. O que vemos é uma quantidade enorme de crianças sem referência, fora da escola, bebendo cerveja. Crack é o que há de mais grave”, analisa.

A recuperação torna-se muito complexa porque normalmente não só o vício precisa ser vencido. Em muitos casos, a pessoa precisa voltar a ser aceita pela sociedade e refazer os laços com a família. Quando decide se reabilitar, seja em clínicas ou com a ajuda de igrejas, o indivíduo precisa deixar o ambiente que costumava frequentar, para evitar recaídas. Restabelecer a vida é questão de determinação, dedicação e tempo.

Comentários

Olá, sou estudante de serviço social e acima de tudo uma cidadã consciente dos problemas sociais do meu país. Gostaria muito de poder ajudar de alguma forma a diminuir esse problema que vem afetando e destruindo tantos jovens. Quero poder aprender e ajudar, se possivel. Por favor entre em contato comigo, pois gostaria muito de fazer um serviço voluntário. Obrigada.

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