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Por uma vacina contra a dengue
Rovena Rosa

Nas epidemias de dengue no Brasil, depois de 2007, crianças e adolescentes foram grandes vítimas de casos graves, e muitas precisaram ser internadas. Todo ano a doença mata centenas de pessoas no país. Para que a população fique protegida, pesquisadores em várias partes do mundo estão tentando desenvolver uma vacina.

Desde 1998, o Laboratório de Infecções Virais do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) pesquisa uma vacina a partir de material genético do vírus, com o objetivo de produzir proteínas para proteger o organismo contra a dengue. "Trabalhamos em duas frentes: a primeira é evitar que o vírus entre na célula, com anticorpos neutralizantes, e depois, impedir que ele se replique”, explica a pesquisadora Ada Alves, chefe do laboratório.

Uma das maiores dificuldades de fazer uma vacina para dengue é o fato de a doença ser causada por quatro tipos de vírus (DEN-1, DEN-2, DEN-3 e DEN-4). Os pesquisadores concordam que a vacina deve proteger a pessoa das quatro variedades do vírus ao mesmo tempo. “Uma vacina ruim para a dengue é pior do que uma não vacina”, resume Ada Alves.

Se a vacina não for eficiente para todos os sorotipos e o indivíduo se contaminar com o tipo de vírus para o qual não está protegido, pode parecer ao organismo que ele está contraindo a dengue pela segunda vez. Neste caso, é maior a chance de complicações, como dengue hemorrágica.

Outra dificuldade para a pesquisa é que nenhum animal, além do homem, desenvolve os sintomas da doença. Isto dificulta os testes clínicos obrigatórios em animais antes de a vacina ser considerada segura e aprovada para o uso em humanos.

Além do fumacê

Enquanto a população não pode ser imunizada com uma vacina eficaz, o jeito é prevenir que o Aedes aegypti se espalhe. Um método utilizado pelo Ministério da Saúde para o controle de epidemias da dengue é o uso de inseticida, conhecido como fumacê. Para Ricardo Lourenço, pesquisador do Laboratório de Transmissores de Hematozoários, do Instituto Oswaldo Cruz (IOC), o fumacê deve ser usado somente em casos extremos porque mata apenas os insetos adultos, preservando os ovos e as larvas, que estão em maior quantidade.

Outro ponto levantado pelo pesquisador é que se usado com muita frequência, o inseticida pode selecionar insetos resistentes. Já existem várias populações de mosquitos resistentes no Brasil. Além disto, o fumacê pode prejudicar a biodiversidade, por matar outros insetos na cadeia alimentar de animais como sapos e aves.

Como a dengue é transmitida

O mosquito transmissor da dengue é bem adaptado ao ambiente domiciliar. Por isto, é importante também eliminar os locais onde ele pode colocar os ovos, para que seu ciclo de vida seja interrompido. Somente as fêmeas do Aedes aegypti picam, para armazenar sangue que vai maturar seus ovos. Ao picar alguém com dengue, o vírus passa pelo estômago do mosquito e vai parar na saliva. Depois é transmitido à próxima pessoa picada.

A dengue pode ser confundida com qualquer virose. Após ser contaminada com um dos tipos de vírus, a pessoa fica imunizada contra aquele tipo em especial. Mas se for contaminada outras vezes, terá maior a chance de desenvolver complicações. Em caso de vômito, tonteira e dor abdominal o indicado é procurar assistência médica. Estes sintomas são indícios de formas mais graves da doença.

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