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HPV: risco nos primeiros anos
Marcia Lisboa

Faz pouco mais de um ano que Daniele, de 17 anos, teve sua primeira relação sexual. O parceiro foi o namorado, que conhecia desde os 15. Há dois meses descobriu ter sido infectada por um dos subtipos de papilomavírus humano (HPV), agente da doença sexualmente transmissível (DST) causadora de câncer do colo do útero.

O nome é fictício, mas histórias como a de Daniele não têm sido raras no universo de pessoas infectadas por HPV. De acordo com levantamento feito pela ginecologista Denise Monteiro a partir dos atendimentos realizados no Serviço de Ginecologia para Adolescentes do Hospital Geral de Jacarepaguá (Cardoso Fontes), no Rio de Janeiro, 24% das moças que iniciaram vida sexual tiveram lesões por HPV no primeiro ano após a primeira relação.

Chefe do setor de Ginecologia para Adolescentes do hospital, Denise Monteiro investigou, em conjunto com a equipe do setor, 2.500 atendimentos realizados entre 1993 e 2006. Neste universo foram analisados 403 casos de jovens sexualmente ativas que tiveram resultados negativos para citopatologias quando submetidas a exames iniciais.

O estudo conclui que a incidência de alterações citopatológicas é alta nos três primeiros anos da vida sexual, e ainda mais grave no primeiro ano. No grupo analisado há uma jovem de 19 anos com diagnóstico de câncer de colo de útero, informa a médica.

Doutoranda em Saúde da Criança e da Mulher pelo Instituto Fernandes Figueira/Fiocruz, Denise Monteiro defende a inclusão das adolescentes sexualmente ativas no Programa Nacional de Controle do Câncer do Colo do Útero e de Mama (Viva Mulher). Criado em 1997, ele priorizava mulheres de 35 a 49 anos, por conta da maior incidência da doença nessa faixa etária. Devido à necessidade de aumentar a prevenção, o programa ampliou sua abrangência para 25 a 59 anos, ou seja, dez anos antes e dez depois. Mesmo assim ficaram de fora as adolescentes.

O Instituto Nacional do Câncer (Inca) estima que em 2008 sejam registrados 18.680 novos casos de câncer de colo do útero. Em todo o mundo, seriam 500 mil novos casos anuais.

Comentários

Descobri que tenho hpv há um ano e de acordo com a médica não posso mais receber sexo oral, pois, assim poderia passar para x parceirx. Não tenho lesão e nem alteração no preventivo desde que retirei as verrugas há um ano. Isso é mesmo verdade?

Eu tenho 15 anos, namoro há dois e há um ano transei pela primeira vez e estou com HPV. No meu caso como seria a cirurgia? com bisturi, com laser ou o quê?

O fato de ter o vírus do HPV não significa que precise fazer uma cirurgia. O vírus pode estar no seu corpo e não manifestar nenhum sintoma. As cirurgias só são indicadas quando há lesão que ofereça risco para o desenvolvimento de tumores malignos. O índice de regressão espontânea das lesões é alto, especialmente em mulheres jovens. Só uma avaliação médica poderá indicar o melhor tratamento para você.

A demora da vacina pela cura do HIV está cada vez pior....Acho que o entusiasmo para encontrar a cura já não é o mesmo desde o fracasso de um estudo que parecia promissor... Na verdade, acho que vocês deveriam estimular um prêmio para a primeira pessoa que achasse a cura. Assim estimularia mais... Não é que a cura do vírus seja fácil de se achar. A maioria das pessoas acham que vocês, pesquisadores, estão muitos desmotivados...Não desistam, muitas vidas dependem de vocês...

Vocês estão de parabéns! Sabemos que é o início e estão em fase de lançamento. Sugiro que aqui também possamos discutir, além de planejamento familiar, as doenças sexualmente transmissíveis, a homofobia, ampliando a discussão até a discriminação em geral como um mal que adoece a sociedade.

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