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Metais tóxicos?
Rovena Rosa

Muitos elementos químicos, encontrados na natureza, como mercúrio, arsênio e chumbo, são tóxicos ao organismo e podem causar doenças. Na maioria dos casos, eles inativam moléculas e proteínas, alterando o funcionamento normal do corpo. Mesmo aqueles importantes para o bom funcionamento do nosso organismo são prejudiciais em doses acima do necessário.

Manganês, por exemplo, é um metal essencial para as células. Ele atua no processo de formação de ossos e tecidos, nas funções reprodutivas e no metabolismo de carboidratos e lipídios, que é a transformação dessas substâncias dentro do organismo. “Mas, em níveis elevados, como aqueles encontrados em certos ambientes de trabalho, pode se tornar neurotóxico, ou seja, causar danos ao cérebro, e afetar os pulmões (podendo causar bronquite e pneumonia)”, diz Fátima Moreira, pesquisadora do Centro de Estudos da Saúde do Trabalhador e Ecologia Humana (Cesteh/Fiocruz).

A população está exposta aos metais pesados por meio do ar poluído, de alimentos contaminados e produtos como tintas, lâmpadas fluorescentes, plásticos, remédios, mas principalmente a partir do ambiente contaminado. Quem trabalha ou mora perto de mineradoras, indústrias químicas e siderúrgicas, fábricas de bateria ou ruas com tráfego muito intenso, que lançam metais no ambiente, sofre mais com problemas de saúde causados por este tipo de poluição.

Os danos podem ser de curto prazo (efeitos agudos), ou médio e longo prazo, como câncer (efeitos crônicos). As crianças são mais afetadas por terem o metabolismo acelerado e menos defesas no organismo. Muitas vezes a contaminação começa quando o feto ainda está na barriga da mãe, porque alguns metais conseguem atravessar a placenta.

Proteção e fiscalização

Os casos se tornam mais graves quando a pessoa não tem uma alimentação equilibrada. Organismos desnutridos, com baixas concentrações de proteínas, vitaminas e minerais (por exemplo, fósforo e cálcio) são uma porta aberta para os metais como chumbo, cádmio ou mercúrio se acumularem nas células.

Na década de 1950, centenas de pessoas que viviam em Minamata, no Japão, morreram e milhares tiveram sintomas de contaminação por terem como base da alimentação os peixes de uma baia com alto nível do metal, lançado no ambiente por uma indústria poluente. A contaminação pode causar: perda de sensibilidade nas mãos e pés, dificuldade de enxergar ou andar, tremores, problemas mentais e má formação na geração posterior.

Segundo o pesquisador Olaf Malm, do Instituto de Biofísica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), na Amazônia são encontradas concentrações de metilmercúrio semelhantes às encontradas em algumas vítimas da tragédia ocorrida no Japão.

No caso brasileiro, provavelmente por conta de uma alimentação mais diversificada, as pessoas quase não apresentam sinais da contaminação. “Os ribeirinhos comem peixe, mas também consomem uma variedade grande de frutas e tubérculos, além da castanha do Pará, que sabidamente protege o organismo (possui muito selênio). Assim, na Amazônia os sintomas verificados são brandos”, explica Olaf Malm.

Muitos países desenvolvidos trabalham para controlar os lançamentos das indústrias potencialmente poluidoras e eliminar qualquer uso dos metais mais tóxicos. A reciclagem é outra opção para evitar que as substâncias contaminantes cheguem aos lixões e ao lençol freático, que são reservatórios de água debaixo da terra. Para Olaf Malm, o Brasil tem uma legislação ambiental boa, mas falta fiscalização e consciência dos direitos ambientais pela população.

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