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Muitas malárias
Rovena Rosa

Considerada uma doença negligenciada, a malária afeta 225 milhões de pessoas e causa 800 mil mortes, principalmente na África. Ela reproduz, no Brasil, a distribuição que tem no mundo, ou seja, concentra-se em áreas pobres, na região tropical.

No país, a maioria dos casos de malária é causada pelo protozoário da espécie Plasmodium vivax, que é benigno e raramente causa morte. Já os casos mais agressivos, que podem levar à morte se não tratados com rapidez, são causados pelo Plasmodium falciparum, comumente encontrado no continente africano.

Os mosquitos que transmitem a doença são do gênero Anopheles. Ao contrário do Aedes aegypti (transmissor da dengue), eles não são adaptados ao ambiente urbano. Logo, os moradores da floresta e as comunidades ribeirinhas são os que mais sofrem.

Para o combate à malária, são essenciais: a informação, o acesso aos meios de prevenção, como o uso de mosquiteiros impregnados com inseticida piretróide, e o tratamento dos casos. Os municípios da Amazônia contam com 3.500 postos de saúde que oferecem atendimento gratuito e diagnóstico. “Nos locais endêmicos, onde as pessoas conhecem a doença, o tratamento costuma ser feito nas primeiras 48 horas. Usar rapidamente o medicamento evita que ela se agrave”, explica o pesquisador Cláudio Ribeiro, chefe do Laboratório de Pesquisas em Malária do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz).

Contaminados várias vezes

Não são raros, na região amazônica, relatos de pessoas que tiveram malária dezenas de vezes. Os sintomas são: febre alta, tremores, dores de cabeça e vômito. Ela pode ser terçã (quando a febre cessa no segundo dia e volta no terceiro) e quartã (quando há dois dias de intervalo sem febre). Muitos sofrem com a doença várias vezes ao ano, perdendo dias de trabalho ou de escola. A estimativa é que 330 mil brasileiros tiveram malária em 2009.

As pessoas que viajam para as áreas de risco devem ficar atentas porque os sintomas como febre alta, costumam aparecer somente 8 a 14 dias após a contaminação, tempo em que o protozoário fica incubado no fígado. Caso adoeçam, mesmo após terem saído da área endêmica, precisam conversar com o médico sobre a possibilidade de estarem com malária. Isto é importante para evitar o diagnóstico errado, como o de dengue.

Atualmente, o volume de recursos investidos no controle da malária, ou mesmo na pesquisa não é baixo. Há um esforço grande de instituições que estão se unindo para tentar erradicar a doença, como a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Fundação Bill e Melinda Gates. A Fiocruz desenvolveu uma medicação muito eficaz, em parceria com a Iniciativa de Medicamentos para Doenças Negligenciadas (DNDi), além de trabalhar pesquisa básica e desenvolvimento de vacinas. No entanto, a completa erradicação (eliminação) da doença não tem prazo definido. “Avançamos muito, mas não sei se posso dizer que em dez anos teremos uma vacina. A evolução do pensamento humano está muito rápida e posso me surpreender”, conclui Cláudio Ribeiro.

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