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Negligenciadas
Rovena Rosa

Negligência significa falta de cuidado, de atenção; desleixo, desmazelo; falta de interesse, de motivação; indiferença, preguiça (Dicionário Houaiss).

As doenças negligenciadas, também conhecidas como doenças tropicais ou doenças infecciosas associadas à pobreza, são enfermidades transmitidas tanto por vetores (insetos), como a doença de Chagas, a malária, leishmaniose e a dengue, quanto de pessoa para pessoa, como tuberculose e hanseníase. Segundo relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS), elas afetam cerca de 1 bilhão de pessoas em 149 países do mundo, principalmente em áreas rurais e favelas urbanas.

Condições precárias de vida e desigualdade no acesso à saúde são fatores que dificultam o combate a essas doenças. Além disto, perpetuam a pobreza, até porque quando estão doentes, as pessoas ficam incapacitadas de trabalhar. “Negligenciadas são as populações atingidas. Determinantes sociais como renda, habitação, nível educacional e saneamento básico, deixam as populações empobrecidas mais suscetíveis ao contágio”, explica Tania Araújo-Jorge, diretora do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz).

Os países desenvolvidos já demonstraram que o investimento em infraestrutura, distribuição de renda e educação de qualidade, evita certos tipos de doenças, como hanseníase e tuberculose. Segundo André Roque, pesquisador do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), educação em saúde e mudanças comportamentais são essenciais para o controle das enfermidades. “A falta de higiene e o desconhecimento das formas de transmissão, faz com que as populações se exponham muito mais”, esclarece Roque.

A degradação do meio ambiente também é um fator importante para o contágio das doenças transmitidas por insetos. “As pessoas estão invadindo o ambiente silvestre e degradando a mata. Isto reduz a quantidade de recursos para os insetos, que acabam sendo atraídos pelas luzes das casas e entram em busca de alimentos”, analisa André Roque.

Desinteresse da indústria farmacêutica

Como normalmente as doenças negligenciadas afetam populações pobres de países da América Latina, África e Ásia, não há investimento suficiente das indústrias farmacêuticas, nem dos governos para desenvolver pesquisa de novos medicamentos, para uma população que dificilmente poderá pagar pelo remédio. “Então, elas são duplamente negligenciadas, pela indústria farmacêutica e pelos próprios países endêmicos, onde elas são mais prevalentes”, diz Tania. A opção escolhida pela indústria farmacêutica é desenvolver medicamentos para câncer, impotência, obesidade, controle de colesterol, que possibilitarão retorno financeiro.

A pesquisadora Tania Araújo-Jorge acredita que esta realidade está melhorarando. A OMS começou a intervir no problema e ativa para isso seu Programa de Pesquisa de Doenças Tropicais (TDR), criado há 30 anos, e que, junto com o Unicef – Fundo das Nações Unidas para a Infância e Adolescência, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e Banco Mundial, tenta coordenar, incentivar e financiar o combate às doenças.

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